Se Nossos Entes Queridos Estão No Inferno, Isso Não Estragará O Céu? (If Our Loved Ones Are in Hell, Won't That Spoil Heaven?)

Pergunta de um leitor:
 
Há algum consolo para mim em relação aos meus pais que morreram sem uma crença pessoal e fé em Jesus? Tudo bem que eu vim a ser salvo desde entāo, mas ainda me sinto profundamente perturbado com o desfecho para meus pais a quem amo muito. Como será possível não sofrer no Céu, sabendo que seus pais (e qualquer outra pessoa) sofrerão tão terrivelmente por toda a eternidade?
 
Resposta de Randy Alcorn:
 
Muitas pessoas perderam entes queridos que não conheciam a Cristo. Algumas pessoas argumentam que as pessoas no céu não saberão que o inferno existe. Mas isso tornaria a alegria do Céu dependente da ignorância, o que não é ensinado em lugar algum nas Escrituras.
 
Então, como poderíamos desfrutar do Céu sabendo que um ente querido está no inferno? J.I. Packer oferece uma resposta difícil, mas bíblica:
 
"Deus o Pai (que agora invoca à humanidade para que aceite a reconciliação que a morte de Cristo assegurou a todos) e Deus o Filho (nosso juiz designado, que chorou por Jerusalém) no juízo final expressarão ira e administrarão justiça contra os humanos rebeldes. A santa justiça de Deus será revelada; Deus fará a coisa certa, vindicando-se finalmente contra todos os que o desafiaram. . . . (Leia Mt 25; Jo 5.22-29; Rm 2.5-16, 12.19; 2Ts 1.7-9; Ap 18.1-19.3, 20.11-35, e você verá isso claramente). Deus julgará justamente, e todos os anjos, santos e mártires o louvarão por isso. Portanto, parece inevitável que, junto com eles, aprovemos o julgamento de pessoas—rebeldes—que conhecemos e amamos.
 
No Céu, veremos com uma nova e muito melhor perspectiva. Concordaremos plenamente com o julgamento de Deus sobre os iníquos. Os mártires no Céu invocam a Deus para que julgue as pessoas más na Terra (Ap 6. 9-11). Quando Deus julgar a cidade perversa da Babilônia, as pessoas no Céu são instruídas: “Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa” (Ap 18.20).
 
O próprio inferno pode fornecer um pano de fundo escuro para a glória resplandecente de Deus e sua graça insondável. Jonathan Edwards defendeu isto, dizendo: "Quando os santos em glória, portanto, verão o estado lastimável dos condenados, como isso aumentará seu senso de bem-aventurança de seu próprio estado, tão extraordinariamente diferente deles." Ele acrescentou: "Eles verão as misérias terríveis dos condenados e considerarão que mereciam a mesma miséria, e que era pela graça soberana, e por nada mais, que haviam se tornado muito diferentes dos condenados".
 
Jamais questionaremos a justiça de Deus, imaginando como poderia ele enviar pessoas boas para o inferno. Em vez disso, ficaremos impressionados com sua graça, maravilhados com o que ele fez para enviar pessoas más para o céu. (Não teremos mais nenhuma ilusão de que as pessoas caídas são boas sem Cristo.)
 
No Céu, veremos claramente que Deus se revelou a cada pessoa e que deu oportunidade para cada coração ou consciência para procurar e responder a ele (Rm 1.18-2.16). Aqueles que ouviram o evangelho têm uma oportunidade maior de responder a Cristo (Rm 10.13-17), mas todo incrédulo, por meio do pecado, rejeitou a Deus e sua auto-revelação na criação, em sua consciência ou no evangelho.
 
Todos merecem o inferno. Ninguém merece o céu. Jesus foi à cruz para oferecer salvação a todos (1 Jo 2.2). Deus é absolutamente soberano e não deseja que alguém pereça (1 Tm 2.3-4; 2 Pe 3.9). Mesmo assim, muitos perecerão em sua incredulidade (Mt 7.13).
 
Abraçaremos a santidade e a justiça de Deus. Vamos louvá-lo por sua bondade e graça. Deus será nossa fonte de alegria. A sombra pequena e distante do inferno não interferirá com a grandeza de Deus ou com nossa alegria nele. (Tudo isso deve nos motivar a compartilhar o evangelho de Cristo com a família, amigos, vizinhos e com o mundo inteiro.)
 
Embora isso soe inevitavelmente duro, ofereço este pensamento adicional: em certo sentido, nenhum de nossos entes queridos estará no Inferno—apenas alguns que uma vez amamos. Nosso amor por nossos companheiros no Céu estará diretamente ligado a Deus, o objeto central de nosso amor. Nós veremos a Ele neles. Nós não amaremos aqueles no Inferno, porque quando vemos a Jesus como ele é, nós amaremos somente—e somente desejaremos amar—a quem e a aquilo que for que lhe agrade, glorifica e reflete. Aquilo que uma vez amamos naqueles que morreram sem Cristo foi a beleza de Deus que uma vez vimos neles. Quando Deus para sempre se retira deles, acho que eles não mais serāo portadores de sua imagem e não mais refletirão sua beleza. Embora sejam as mesmas pessoas, sem Deus serão destituídas de todas as qualidades que amamos. Portanto, paradoxalmente, em certo sentido, elas não serão as pessoas que amamos.
 
Não tenho como provar biblicamente o que acabei de escrever, mas acho que é verdade, mesmo que o pensamento seja horripilante.
 
Não só no Céu, mas também enquanto ainda estamos aqui na Terra, nosso Deus é o “Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!” (2 Co 1.3). Qualquer tristeza que nos aflige hoje desaparecerá na Nova Terra tão certamente quanto a escuridão desaparece quando a luz é acesa. “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21.4).
 
Esta é a promessa de Deus. Vamos descansar nela.
 
Disto podemos estar absolutamente certos: o inferno não terá poder sobre o céu; nenhuma das desgraças do inferno jamais vetarão qualquer alegria do Céu.
 
Nota adicional do assistente de Randy: Você não tem como saber, mas pode esperar que seus pais se voltaram para Cristo, mesmo no último suspiro. Que Deus lhe proporcione conforto e paixão para compartilhar a salvação através de Cristo com aqueles com quem entra em contato.
 
(Esta resposta foi tirada do capítulo 36 de Heaven by Randy Alcorn) 
 
 
Por Randy Alcorn Traduzido por Thaisa Marques

 


If Our Loved Ones Are in Hell, Won't It Spoil Heaven? 

Question from a reader:

Is there any consolation for me concerning my parents who both died without a personal belief and faith in Jesus? It is all very well for me to know that I have since been saved, but I still feel deeply upset about the outcome for my parents whom I love dearly. How can you not grieve in Heaven while knowing your parents (and anyone else for that matter) will suffer so terribly for all eternity?

Answer from Randy Alcorn:

Many people have lost loved ones who didn’t know Christ. Some people argue that people in Heaven won’t know Hell exists. But this would make Heaven’s joy dependent on ignorance, which is nowhere taught in Scripture.

So, how could we enjoy Heaven knowing that a loved one is in Hell? J. I. Packer offers an answer that’s difficult but biblical:

"God the Father (who now pleads with mankind to accept the reconciliation that Christ’s death secured for all) and God the Son (our appointed Judge, who wept over Jerusalem) will in a final judgment express wrath and administer justice against rebellious humans. God’s holy righteousness will hereby be revealed; God will be doing the right thing, vindicating himself at last against all who have defied him. . . . (Read through Matt. 25; John 5:22-29; Rom. 2:5-16, 12:19; 2 Thess. 1:7-9; Rev. 18:1-19:3, 20:11-35, and you will see that clearly.) God will judge justly, and all angels, saints, and martyrs will praise him for it. So it seems inescapable that we shall, with them, approve the judgment of persons—rebels—whom we have known and loved.

In Heaven, we will see with a new and far better perspective. We’ll fully concur with God’s judgment on the wicked. The martyrs in Heaven call on God to judge evil people on Earth (Revelation 6:9-11). When God brings judgment on the wicked city of Babylon, the people in Heaven are told, “Rejoice over her, O heaven! Rejoice, saints and apostles and prophets! God has judged her for the way she treated you” (Revelation 18:20).

Hell itself may provide a dark backdrop to God’s shining glory and unfathomable grace. Jonathan Edwards made this case, saying, “When the saints in glory, therefore, shall see the doleful state of the damned, how will this heighten their sense of the blessedness of their own state, so exceedingly different from it.” He added, “They shall see the dreadful miseries of the damned, and consider that they deserved the same misery, and that it was sovereign grace, and nothing else, which made them so much to differ from the damned.”

We’ll never question God’s justice, wondering how he could send good people to Hell. Rather, we’ll be overwhelmed with his grace, marveling at what he did to send bad people to Heaven. (We will no longer have any illusion that fallen people are good without Christ.)

In Heaven we’ll see clearly that God revealed himself to each person and that he gave opportunity for each heart or conscience to seek and respond to him (Romans 1:18-2:16). Those who’ve heard the gospel have a greater opportunity to respond to Christ (Romans 10:13-17), but every unbeliever, through sin, has rejected God and his self-revelation in creation, conscience, or the gospel.

Everyone deserves Hell. No one deserves Heaven. Jesus went to the cross to offer salvation to all (1 John 2:2). God is absolutely sovereign and doesn’t desire any to perish (1 Timothy 2:3-4; 2 Peter 3:9). Yet many will perish in their unbelief (Matthew 7:13).

We’ll embrace God’s holiness and justice. We’ll praise him for his goodness and grace. God will be our source of joy. Hell’s small and distant shadow will not interfere with God’s greatness or our joy in him. (All of this should motivate us to share the gospel of Christ with family, friends, neighbors, and the whole world.)

Although it will inevitably sound harsh, I offer this further thought: in a sense, none of our loved ones will be in Hell—only some whom we once loved. Our love for our companions in Heaven will be directly linked to God, the central object of our love. We will see him in them. We will not love those in Hell because when we see Jesus as he is, we will love only—and will only want to love—whoever and whatever pleases and glorifies and reflects him. What we loved in those who died without Christ was God’s beauty we once saw in them. When God forever withdraws from them, I think they’ll no longer bear his image and no longer reflect his beauty. Although they will be the same people, without God they’ll be stripped of all the qualities we loved. Therefore, paradoxically, in a sense they will not be the people we loved.

I cannot prove biblically what I’ve just stated, but I think it rings true, even if the thought is horrifying.

Not only in Heaven but also while we are still here on Earth, our God is “the Father of compassion and the God of all comfort” (2 Corinthians 1:3). Any sorrows that plague us now will disappear on the New Earth as surely as darkness disappears when the light is turned on. “He will wipe away every tear from their eyes, neither shall there be mourning nor crying nor pain” (Revelation 21:4, ESV).

This is God’s promise. Let’s rest in it.

Of this we may be absolutely certain: Hell will have no power over Heaven; none of Hell’s misery will ever veto any of Heaven’s joy.

Additional note from Randy’s assistant: You have no way of knowing but you could hope that your parents turned to Christ, even upon their last breath. May God provide you with comfort and a passion to share salvation through Christ with those you meet.

(This answer was taken from Chapter 36 of Heaven by Randy Alcorn)

Photo by David Vig on Unsplash

Randy Alcorn, founder of EPM

Randy Alcorn (@randyalcorn) is the author of over fifty books and the founder and director of Eternal Perspective Ministries